quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Deus nos coloca na vida dos outros

Recebi esse texto por email e achei que valia a pena postar.

Um dia, quando eu era calouro na escola, vi um garoto de minha sala
caminhando para casa depois da aula.

Seu nome era Kyle.
Parecia que ele estava carregando todos os seus livros.

Eu pensei:

'Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa
Sexta-Feira?
Ele deve ser mesmo um C.D.F'!

O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol
com meus amigos Sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho.

Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção
a Kyle.

Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços,
empurrando-o de forma que ele caiu no chão.

Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns
metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em
seus olhos.


Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele
engatinhava procurando por seus óculos.

Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os
óculos, disse: 'Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam
arrumar uma vida própria'. Kyle olhou-me nos olhos e disse: 'Hei, obrigado'!

Havia um grande sorriso em sua face. Era um daqueles sorrisos que
realmente mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar seus livros e perguntei
onde ele morava.

Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos
nos visto antes, porque ele freqüentava uma escola particular.

Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei
seus livros. Ele se revelou um garoto bem legal.

Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado comigo e meus
amigos. Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto
mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele.

Meus amigos pensavam da mesma forma.

Chegou a Segunda-Feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade
imensa de livros outra vez! Eu o parei e disse:

'Diabos, rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa
pilha de livros assim todos os dias!'.

Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro
anos seguintes, Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos. Quando
estávamos nos formando começamos a pensar em Faculdade.

Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que
seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria
médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador
oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C..D.F.

Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super
contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.

No dia da Formatura Kyle estava ótimo.

Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola.
Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando
óculos.

Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam!
Às vezes eu até ficava com inveja.

Hoje era um daqueles dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso
sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: 'Ei,
garotão, você vai se sair bem!'

Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse:

-'Valeu'!

Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o
discurso:

'A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram
durante estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um
treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer
que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar.Vou
contar-lhes uma história:'

Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a
história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele havia planejado se
matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado seu
armário na escola, para que sua Mãe não tivesse que fazer isso depois que
ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa.

Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso.

'Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!' Eu observava o
nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e bonito
contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.

Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.

Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do sorriso
que ele me deu naquele dia.

Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar
a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o
outro de alguma forma.

domingo, 23 de agosto de 2009

Entre gatas borralheiras e gatos veis

Texto da minha querida amiga Virginia Lima Verde


Gata borralheira, mais conhecida como Cinderela, faz parte de um conto de fadas mundialmente conhecido. Por este motivo darei início a essa jornada pelo o mundo felino a partir do termo, que diferentemente do primeiro, é apenas regionalmente conhecido.

Comecemos então pela seguinte pergunta: o que é um “gato vei”? “Gato vei” é um termo bastante popular na cultura cearense. Consiste numa metáfora utilizada para descrever e rotular algumas mulheres que representam um padrão de comportamento feminino. Quem seriam então essas mulheres? Que pluralidade de sentidos esta metáfora traz consigo? O que esta imagem nos fala sobre a cultura cearense?

Bem, antes de tentar descrever o sentido literal do que seja um “gato vei” é interessante atinarmos para o detalhe de que uma expressão muito popular dentro de uma cultura acaba se distanciando da compreensão, consciente, do emprego do termo, onde a metáfora é literalizada perdendo a sua magnitude inicial.

Ao perguntamos, hoje em dia, para várias pessoas sobre o porquê da escolha desta nomenclatura “gato vei” e não “cachorro vei”, “coelho vei” ou “pato vei” muitos responderão que nem pararam para pensar. A partir deste fato, ao fugirmos da sedução do literalismo podemos perceber que o nosso discurso é carregado de um sentido simbólico. Palavras, aparentemente aleatórias e desconectadas de uma realidade, quando observadas por meio de uma lupa metafórica podem nos trazer grandes informações.

A expressão “gato vei” vem demonstrar como um simples termo, a primeira vista, desprovido de um sentido mais amplo, pode demonstrar uma riqueza simbólica ao abdicamos da crença de que a metáfora consiste em apenas um fenômeno de linguagem desprovida de internalizações, conscientes e inconscientes, de quem utiliza.

Para exploramos a amplitude desta imagem “gato vei” precisamos da compreensão das características destas mulheres assim denominadas, bem como um trabalho de remetaforização da metáfora literalizada, ou seja, explicitar a pluralidade das palavras que compõem esse termo, para assim entendermos o que esta nomenclatura pode dizer sobre essas mulheres e sobre a nossa cultura.

Comecemos pela análise da palavra “vei”. Vocábulo bastante popular em nosso contexto,possui um sentido pejorativo, designa algo que não tem valor, que não presta, que está desgastado. Percebemos então, que mulheres tipo patricinhas, bonequinhas, elegantes, puras e ingênuas, estariam fora desta classificação.

Continuemos a análise com a palavra “gato”. Um animal comumente chamado de traiçoeiro, interesseiro e que dá azar. Ao investigarmos mais profundamente sobre o motivo destes atributos percebemos, através de um percurso histórico, que este animal desde a antiguidade provoca fascínio e desconfiança nas pessoas, além disso, suas representações mitológicas eram vinculadas ao feminino, a sexualidade, ao mistério,e a morte. Por este motivo, na Idade Média onde estes atributos eram considerados coisas do mal, este animal foi associado também como algo do mal. Animal companheiro das bruxas, que por sua vez eram mulheres que saiam do padrão cristão, consideradas servas do diabo a serem queimadas. O raciocínio era feminino-mal-diabo. A partir daí a conotação negativa deste animal tomou força. Devido a sua ligação com o feminino ele só podia ser tão traiçoeiro como Eva que seduziu Adão a comer o fruto proibido.

Ao observamos as representações atribuídas as palavras “gato” e “vei” percebemos que são assuntos de difícil digestão em nossa tradição, ainda, marcada pela herança patriarcal que valoriza características como controle, autoridade, competição, medo da mudança, supremacia do masculino e do pensamento lógico.

Não é de nos admirarmos que essa expressão seja atribuída a mulheres que representam a sombra de nossa sociedade, pois elas estão associadas ao descontrole, ao desapego, ao instinto, e a imprevisibilidade. Sendo descritas como: vulgares, bregas, fáceis, infiéis, livres, que vivem o aqui e agora, não convencionais , felizes com pouco, barulhentas, muito sexualizadas. Elas aparecem em todas as classes sociais, por este motivo há quem diga que ser um “gato vei” é um estilo de vida.

Um fato curioso é que esta nomenclatura é tão sombria que ninguém se percebe ou denomina-se como um “gato vei”. No entanto eles existem, mesmo que seja habitando um lugar escuro na psique coletiva encarregados da personificação de características socialmente discriminadas, para mulheres, pois mesmo o termo sendo utilizado no masculino ele não existe para homens.

O motivo deste termo ser exclusivo para mulheres possui uma relação com o fato de existir um padrão de mulher, considerado como ideal na consciência coletiva. Este modelo eu denomino de mulher Cinderela a qual é boa profissional, visto que a gata borralheira nunca deixava seu trabalho por concluir ; excelente esposa, mãe perfeita, afinal ela vive feliz para sempre; inteligente, piedosa, discreta e apegada, pois perdoou aquelas que sempre a mal tratavam. As Cinderelas sempre pensam no seu futuro e dos entes queridos, além de agirem conforme as convenções, nem que seja somente para os outros .

Contudo é interessante dizer que mesmo Cinderela, a princesa, tento sido eleita, a mulher ideal, não é suficiente, pois sabemos de acordo com a mitologia do homem cearense depois da meia noite os homens “cachorros” quando deixam as Cinderelas em casa vão atrás dos “gatos” . E quem disse que cão e gato não se dão bem? Pelo menos no Ceará se dão!

Esse fato é bastante relevante, pois apesar da discriminação, o “gato vei” tem o seu lugar, o seu papel social, nem que seja o de depósito de projeções de um feminino cindido, onde algumas mulheres materializam o lado gato, animal e outras o lado racional. Umas são bruxas e as outras são princesas.

Esta separação possui suas raízes no cristianismo que dicotomizou a mulher sagrada e espiritual, da mulher que deseja, que tem corpo e instintos. Um exemplo claro disto é a forma em que Lilith, a primeira mulher de Adão possuidora da mesma grandeza deste, foi banida das narrativas1. Comumente conhecemos somente Eva criada de um pedaço do homem, demonstrando inferioridade e submissão, além de ser descrita como a culpada de todos os males.

Por conta dos nossos valores serem embasados por uma cultura cristã, que separa o ser humano em bom ou ruim, mulheres que prestam e que não prestam desconsiderando nossa ambigüidade, convivemos, ainda, com modelos dicotomizados provocando crises pela nossa dificuldade de aceitação da pluralidade. Na região nordeste esse fato é mais notório, pois a religiosidade cristã tem mais força.

Um exemplo de nosso caráter plural é a nossa animalidade, tão desvalorizada sendo atribuída como algo puramente negativo a ser controlado. No entanto, na antiguidade esta visão era diferente , pois muitos deuses eram representados por animais demonstrando uma conecção do lado instintivo das divindades e dos mortais.

O termo “gato vei” vem fazer algo similar ao que muitos mitos antigos faziam que era demonstrar a nossa composição homem-animal, visto que, mesmo numa sociedade onde características racionais são supervalorizadas existem representantes dos instintos.

Entendendo a metáfora em seu sentido mais profundo de nos levar para além procuremos compreender o termo gato, já utilizado inclusive para denominar prostitutas, além do seu negativismo atual. Vamos adiante, ironicamente, indo um pouco para traz até chegar aos deuses pagãos ampliando as possibilidades da palavra por meio da imaginação.

Bast, a deusa gato, foi uma das divindades mais respeitada no Antigo Egito, visto a sacralidade deste animal para essa cultura. A deusa regia a alegria, a dança, a música a saúde, a fertilidade2. Em suas festividades o ambiente era colorido com bom humor, músicas, comidas e vinhos nutrindo os sentidos de seus adoradores. Notemos o quanto a representação do gato já possuiu um sentido positivo numa cultura onde seus atributos não eram tão assustadores, como o mistério e o desapego, por exemplo.

Nise da Silveira em seus estudos e pesquisas sobre os animais como co-terapeutas comenta que o gato é um animal que conserva a independência sem deixar de ser meigo3. O “gato vei” também é assim, pois são mulheres livres, mas muito carinhosas com aqueles que gostam. Além disso, são alegres e festivas como Bast.

Outra descrição interessante sobre o animal é a de “domesticados, mas livres”4 fato que define bem estas mulheres, pois não podemos dizer que elas representam os extremos, uma vez que nem são puramente “selvagens” desconectadas da sociedade, mas também não são Cinderelas que vivem majestosamente no reino do Ego, da consciência.

O gato se domesticou por livre vontade em busca dos ratos que se acumulavam perto das residências, os “gatos vei” também se domesticaram em busca da caça. Já as Cinderelas, plenamente domesticadas não são livres, e nem caçam, são caçadas, pois se hoje vivem no reino do Ego, é porque o príncipe mandou buscá-la, ou seja o masculino decidiu assim. E por isso, deixou de ser a gata borralheira, desvinculando-se do seu lado animal, pois no palácio da consciência, das regras, não é permitido a entrada de animais. No entanto, o mundo ou a psique é bem maior que o palácio do Ego, daí o motivo de alguns buscarem esse gato em outro lugar. Afinal, nem Batman, o super-herói, defensor da Lei resistiu aos encantos da Mulher-gato, assassina, fora da Lei, mas extremamente sedutora.

Minha intenção ao percorrer entre os felinos não é fazer uma apologia aos “gatos vei” e nem as gatas borralheiras, mas sim fomentar uma reflexão sobre a cisão do feminino em mulheres, alertando que todas, Cinderelas ou Gatos possuem ambigüidades manifestas ou não. Corpo, desejo e espiritualidade nem sempre foram separados, visto que Afrodite demonstra claramente esta afirmação, a deusa do amor e da beleza se permitia o prazer pelo prazer e isso era sagrado.

A mulher contemporânea se vangloria de suas conquistas pelos diretos iguais aos homens. Com certeza muito foi conseguido, no entanto surge o questionamento: por que para sermos respeitada como mulheres e conquistarmos diretos é preciso adorarmos apenas modelos Apolíneos, solares, abdicando de grandes potenciais, visto que o escuro também pode trazer iluminação, como por exemplo o poder feminino da lua negra, mas conhecida como Lilith.

O que tento enfatizar é que existem outros modelos de força e vitalidade além do modelo de Apolo, Hera , Atena e Cinderela. Precisamos, também, cultua deuses como Dioniso, Bast, Pan para que estes não fiquem enciumados e se vinguem com toda destrutividade de quem sente rejeitado.

E é nesse momento que pergunto a vocês: o que o “gato vei” tem a ensinar as gatas borralheiras internamente sufocadas pelo alto “padrão de qualidade”?

REFERÊNCIAS

1. Sicuteri, R.A. Lilith a lua negra .São Paulo: Pensamento,1998.
2. Grupo Rodas da Vida. O livro das Deusas. São Paulo: Publifolha;2005.
3. Silveira, N. O mundo das imagens.São Paulo: Àtica; 1992.
4. Saunders, N.J. O Culto ao gato.Rio de Janeiro: Edições del Prado; 1997.p 27.

Jesus - O mais Perfeito dos Profissionais

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C
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U
Urbanizador dos urbanizadores - Embeleza nossa vida
V
Vigia dos vigias - Aquele que sempre nos guarda
X
Xeque dos xeques - Governa com soberania
Z
Zelador dos zeladores - Zela por nossas vidas

(autor desconhecido)